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O que é atenção primária à saúde (APS)?
Bem Estar

O que é atenção primária à saúde (APS)?

O tema atenção primária à saúde (APS) entrou na agenda dos gestores e dirigentes na saúde suplementar.  A Organização Mundial da Saúde a definiu para atingir em todos os países um nível de bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e as comunidades.

A atenção primária à saúde abrange, por exemplo, a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde. Além disso, há uma integração de ações preventivas e curativas, bem como a atenção a indivíduos e comunidades.

Então, é o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro elemento de um processo de atenção continuada.

Assim sendo, no artigo de hoje iremos explicar mais sobre o que é a atenção primária. Essa questão tem passado por um desconhecimento, proposital ou não, que tem levado a uma má compreensão da mesma.

Atributos fundamentais da atenção primária à saúde (APS)

Em primeiro lugar, é importante saber no que se baseia a atenção essencial à saúde. Segundo a Declaração de Alma-ata, a atenção essencial à saúde está baseada em tecnologia e métodos práticos.

Estes precisam ser cientificamente comprovados e socialmente aceitáveis, tornados universalmente acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade, por meios aceitáveis para eles e a um custo que tanto a comunidade como o país possa arcar em cada estágio de seu desenvolvimento.

Conheça a seguir, quais são os quatro atributos fundamentais da APS:

Constituir a porta de entrada do serviço

Certamente, é esperado que a APS fosse mais acessível à população, em todos os sentidos, e que com isso seja o primeiro recurso a ser buscado.

O acesso possui o conceito de ser a “porta de entrada” do sistema e pode ser medido pela facilidade com que o paciente consegue um encontro com sua equipe e seu médico de referência.

Além disso, está relacionado a diferentes formas de acesso (presencial, telefone, e-mail) e diversidade de horários disponíveis. É o atributo essencial frequentemente listado como mais importante.

Continuidade do cuidado

É mantido um vínculo entre a pessoa atendida com o serviço ao longo do tempo. Dessa forma, quando uma nova demanda surge, esta será atendida de forma mais eficiente. Essa característica também é chamada de longitudinalidade.

 Isso significa o cuidado ao longo do tempo, passando por todas as fases do ciclo de vida. Assim sendo, a satisfação do usuário, bem como o vínculo, está relacionada a esse atributo.

Integralidade

Nessa característica, a Integralidade também significa a abrangência ou ampliação do conceito de saúde, não se limitando ao corpo puramente biológico.

 Da mesma forma, se relaciona com o nível primário, que é responsável por todos os problemas de saúde. Ainda que parte deles seja encaminhado a equipes de nível secundário ou terciário, o serviço de Atenção Primária continua corresponsável.

Enfim, é a capacidade de ofertar a maior variedade de serviços possível no âmbito da APS que deve, de maneira ideal, incluir, por exemplo, puericultura, pré-natal, cuidados paliativos essenciais e pequenos procedimentos.  

Coordenação do cuidado

Mesmo quando parte substancial do cuidado à saúde de uma pessoa for realizado em outros níveis de atendimento, o nível primário organiza, coordena e/ou integra esses cuidados, já que frequentemente são realizados por profissionais de áreas diferentes ou terceiros, e que acabam tendo pouco diálogo entre si.

Logo, a coordenação do cuidado está relacionada à atitude de referenciar os pacientes a outros pontos de atendimento e acompanha-los em toda a sua jornada no sistema de saúde.

Declaração de Alma-Ata

Você sabe o que é a declaração de Alma-Ata? O documento propõe a instituição de serviços locais de saúde centrados nas necessidades da saúde da população e fundados numa perspectiva interdisciplinar envolvendo médicos, enfermeiros, parteiras, auxiliares e agentes comunitários, bem como a participação social na gestão.

Além disso, também descreve ações mínimas, necessárias para o desenvolvimento da APS nos diversos países.

Por exemplo, educação em saúde voltada para a prevenção e proteção, distribuição de alimentos e nutrição apropriada, tratamento da água e saneamento, saúde materno-infantil, planejamento familiar, imunização, prevenção e controle de doenças endêmicas, tratamento de doenças e lesões comuns, além do fortalecimento de medicamentos essenciais.

Uma proposta dentro de um contexto muito maior

Tudo isso é muito além que um pacote seletivo de cuidados básicos em saúde. Assim sendo, aponta para a necessidade de sistemas de saúde universais, concebendo a saúde como um direito humano.

Apontando, também, para a redução de gastos com armamentos e conflitos bélicos e o aumento de investimentos em políticas sociais para o desenvolvimento das pessoas excluídas, o fornecimento e até mesmo a produção de medicamentos essenciais para distribuição à população de acordo com as suas necessidades.

Atenção primária à saúde como uma referência fundamental

Mesmo sem ter sido alcançada plenamente, a APS tornou-se uma referência fundamental para as reformas sanitárias ocorridas em diversos países nos anos 80 e 90.

Muitos países e organismos internacionais adotaram a APS numa perspectiva focalizada, entendendo a atenção primária como um conjunto de ações de saúde de baixa complexidade, dedicada a populações de baixa renda, no sentido de minimizar a exclusão social e econômica.

Não basta contratar médicos de famílias

Assim, fica claro que não basta contratar médicos de família ou criar “centros de atenção primária”.

É importante realizar a organização do sistema e, neste contexto, se destaca a importância da coordenação do cuidado. Talvez este fator seja mais importante que apenas contratar médicos de família, permitindo uma ação de maior escala, integração com a rede assistencial, uso de registros eletrônicos e telemedicina e a utilização de profissionais que atuam como “navegadores” no cuidado.

A organização do sistema com a utilização da APS, em sua integralidade, propicia a mudança do modelo de remuneração focando não apenas nos procedimentos hospitalares, mas no cuidado em saúde.

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