O dia 8 de Maio é o dia Mundial do Câncer de Ovário.

Os ovários são dois órgãos que se ligam junto com trompas ao útero, um de cada lado. Eles têm como função a produção de hormônios sexuais femininos e também a produção, maturação e liberação dos óvulos (gameta feminino). Quando há mutações e outras alterações nas células desses órgãos, elas podem começar a se multiplicar indiscriminadamente, gerando um tumor, que pode ser benigno ou maligno. Quando temos um tumor maligno, chamamos de câncer. No caso do ovário, a maioria dos tumores é benigno.

O câncer de ovário é, no Brasil, a segunda neoplasia ginecológica mais comum, estando atrás apenas do câncer do colo de útero. Segundo as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a previsão pra 2020 é que tenhamos 6.650 novos casos. Esses tumores malignos são mais comuns em mulheres mais velhas, entre 45 a 65 anos de idade.

Como identificar?

Muitas vezes a identificação do câncer de ovário se dá em fase mais tardia da doença, na qual já há disseminação para além do ovário. Isso faz que eles representem um número desproporcional de mortes decorrentes de câncer do trato genital feminino.

Por isso, a identificação precoce é importante. Alguns dos sintomas mais frequentes são: dor abdominal baixa e aumento abdominal. Além desses, há outros menos comuns, como fraqueza, perda de peso, que são características de neoplasias malignas, e pressão ou inchaço no abdome, bem como indigestão, náuseas e outros sintomas gastrointestinais. Quando o tumor consegue se estender para além de sua cápsula e atingir a cavidade peritoneal (abdominal), poderá haver ascite maciça (muito líquido nessa cavidade) que aumentará o volume abdominal.

Quando o tumor consegue se estender para além de sua cápsula e atingir a cavidade peritoneal (abdominal), poderá haver ascite maciça (muito líquido nessa cavidade) que aumentará o volume abdominal. Apesar dos sintomas listados, muitas vezes a paciente é assintomática.

A suspeita do diagnóstico é levantada pela equipe médica a partir da história do paciente, do exame físico, da ultrassonografia transvaginal e a presença no sangue do marcador tumoral CA-125 (quando aumentado pode indicar o câncer de ovário, mas há outras condições que também o aumentam).

Ademais, outros exames de imagem podem ser usados para auxiliar. A confirmação do diagnóstico é feita a partir da análise do tecido ovariano obtido, seja por cirurgia ou biópsia por agulha fina.

Quais são os tipos?

Apesar de parecer uma doença única, há alguns tipos de câncer de ovário. A maioria deles advém de células epiteliais superficiais (de revestimento) do ovário, outra parte de células germinativas e uma menor parte de estroma ovariano.

Há relação genética?

Mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2, aumentam a susceptibilidade ao câncer de ovário. Ademais, portadoras de síndrome familial de mama e ovário, de câncer colorretal hereditário não poliposo (HNPCC), também chamada de síndrome de Lynch, também tem maior predisposição. No entanto, vale ressaltar que a origem do câncer é multifatorial e a presença desses fatores não é preditiva de certeza de desenvolvimento do câncer.

Há outros fatores de risco?

Sim. Entre eles temos a idade avançada, a infertilidade, a nuliparidade (não ter tido filhos), a menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos), idade tardia de menopausa (após 52 anos) e excesso de peso corporal.

Qual é o tratamento?

O tratamento é proposto após avaliação do estado clínico do paciente e do estadiamento da doença (qual é a sua extensão e se atinge linfonodos e outros órgãos). A cirurgia é o procedimento básico para o diagnóstico e para o tratamento. Adicionalmente, pode ser necessário também utilizar a quimioterapia para obter melhores resultados.

Desse modo, é recomendado que as mulheres continuem a se consultar com seus ginecologistas e, caso tenham algum desses sintomas, avisem-no, para que este considere a hipótese. Assim, esperamos que o diagnóstico seja feito de forma mais precoce.

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Referências

KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N. Robbins e Cotran – Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010

Instituto Nacional do Câncer. INCA, 2020. Tipo de câncer: câncer de ovário. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-ovario>. Acesso em 10 de Maio de 2020.

A.C. Carmago. 2020. Tipo de Câncer: ovário. Disponível em:<https://www.accamargo.org.br/tipos-de-cancer/ovario>. Acesso em 10 de Maio de 2020

Autora: Isabella Gonçalves Gutierres, aluna de medicina e estagiária da Conexa.

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