Receber o diagnóstico de câncer pode desencadear um desequilíbrio emocional tanto no paciente quanto em sua família, isso porque a palavra “câncer” vem carregada com muitos estigmas, entre eles, a sua relação com a morte.

É sabido que tanto os valores, quanto a história de vida e conhecimentos prévios, podem interferir na forma de lidar com a doença, sua aceitação ou negação.

No artigo de hoje iremos falar sobre o acompanhamento psicológico na luta contra o câncer.

Boa leitura!

O diagnóstico

O recomendado é que o psicólogo, seja ele clínico ou hospitalar, comece a desenvolver o seu trabalho de acompanhamento a partir do momento em que o diagnóstico de câncer é confirmado.

Receber esse diagnóstico não é nada fácil, normalmente o paciente já se encontra vulnerável desde o momento em que a possibilidade da existência de um câncer não era confirmada.

Misto de sentimentos

Nesse momento, o paciente e sua família vivenciam situações ligadas a angústia, ansiedade e medo. Um luto, da vida que se conhecia, se inicia.

O psicólogo é aquele profissional que, diante do sofrimento do paciente oncológico, vai desenvolver e criar meios para minimizar todas as angústias, sofrimentos, desesperanças, desequilíbrios psicológicos e emocionais que os tratamentos oncológicos causam, tanto na vida dos pacientes como na vida de seus familiares.

É necessário que o psicólogo desenvolva um olhar diferenciado, que tente buscar a subjetividade do paciente e não se restrinja aos reflexos da doença e às consequências dos efeitos colaterais no corpo do indivíduo; mas sim que o acolha como um todo, ou seja, realize um tratamento mais humanizado, respeitando os seus valores, seus desejos e sua dignidade.

Adoecimento pelo câncer

Esse olhar vai de encontro com os princípios da Organização Mundial de Saúde (OMS, 1996) que define “saúde” não apenas como ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social e não somente ausência da enfermidade.

O adoecimento pelo câncer não é simplesmente do campo do biológico, ele demanda uma visão holística e sistêmica, é preciso considerar a psique, a subjetividade, o contexto social.

O acolhimento deve ser realizado de modo humanizado para que o paciente sinta-se totalmente amparado e consiga obter novamente o equilíbrio.

Tratamento oncológico

Durante o processo do tratamento oncológico é normal que comecem a despertar no paciente diversas dúvidas e questionamentos, cabe ao psicólogo trazer luz ao que está acontecendo e com isso dar voz a subjetividade da pessoa adoecida, bem como aos familiares, dando-lhes um espaço a ser construído.

Através da fala, é ofertado ao paciente a possibilidade da construção de um posicionamento mais ativo frente a seu tratamento, além de melhor enfrentamento da doença, para isso torna-se primordial a comunicação eficaz de todos os envolvidos (médicos, paciente e família).

O sofrimento emocional associado a doença, não deve ser ignorado, visto que pode afetar de forma significativa a evolução do tratamento.

Por fim, a função do psicólogo será oferecer uma escuta clínica de forma ética e priorizando a subjetividade, buscando assegurar uma assistência integral e humanizada, com o objetivo de alcançar uma melhora na condição psíquica, minimizando os impactos sofridos durante o adoecimento.

Texto: Ana Cláudia Geraldo

CRP: 06/138387