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Doença falciforme: conceito, diagnóstico e tratamento

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Uma pesquisa do Ibope, realizada no ano passado, mostrou que a doença falciforme atinge 7 milhões de brasileiros. Apesar de ser uma condição comum, a pesquisa também apontou que 47% das pessoas não conhecem a doença.

Além disso, o levantamento que ouviu 2 mil pessoas mostrou que, a cada 10 pessoas que conhecem a doença, 6 não sabem que ela pode levar o paciente à internação, assim como desconheciam a necessidade da utilização de medicações fortes.

Mas é importante entender que a doença falciforme é um problema de saúde pública, e a falta de informação acaba dificultando na inclusão de quem sofre dela. Nesse sentido, é preciso conhecer as necessidades de pessoas com a doença para poder melhorar sua qualidade de vida.

Por isso, fizemos esse artigo para falar sobre a doença falciforme, seus principais sintomas e muito mais. Continue a leitura!

A doença Falciforme

A doença falciforme é uma condição genética que atinge a hemoglobina, ou seja, a proteína que faz o oxigênio circular pelo nosso corpo. Nesse sentido, o problema é causado por uma hemoglobina com defeito, chamada de Hemoglobina S, que modifica a forma das células sanguíneas (glóbulos vermelhos).

Sendo assim, com a mudança no formato das células sanguíneas, se torna mais difícil para que a hemoglobina transporte o oxigênio para diferentes partes do corpo, através do sistema circulatório.

Origem 

A doença falciforme se originou na África, e chegou no Brasil durante o período da escravidão.

Ela é uma condição hereditária, ou seja, é passada dos pais para os filhos. Nesse sentido, caso os dois pais apresentem a doença, o problema atinge o bebê e altera o formato da sua hemoglobina para a chamada HbSS, causando a anemia falciforme. 

Entretanto, se apenas um dos pais tiver alteração, o filho nasce apenas com o Traço Falciforme (HbAS), que não possui sintomas.

Alterações genéticas 

A doença falciforme provoca alterações na forma das hemácias, que ficam mais rígidas e isso dificulta sua passagem pelos vasos sanguíneos, consequentemente a passagem do oxigênio pelos tecidos, assim como compromete a circulação sanguínea. 

Isso provoca uma série de alterações no organismo, físicas e até mentais, como infecções, desidratação e estresse físico e emocional. A deficiência do oxigênio provoca ainda lesões nos órgãos e fortes dores ósseas. 

Diagnóstico 

Existem duas formas de diagnosticar a doença falciforme. A primeira é feita ainda bebê, com  chamado “teste do pezinho”. É um exame rápido que coleta gotas de sangue do calcanhar do bebê. O exame está disponível em postos de saúde. 

Através da análise é possível detectar se há essa variação genética e prevenis até 50 doenças hereditárias. Mas para que isso seja possível a amostra deve ser coletada entre o terceiro e o quinto dia de vida da criança. 

A identificação precoce auxilia o início do tratamento específico, que pode evitar que a  alteração das hemácias se estabeleçam. 

Sintomas da doença falciforme

Existem vários sintomas que pode indicar que o individuo possui a doença. Sendo os principais:

  • Atraso no crescimento e desenvolvimento infantis 
  • “Síndrome Mão Pé”, com inchaço e dor em punhos, tornozelos e dedos. Em geral nas crianças até 2 anos de idade. 
  • Anemia, com icterícia (olhos amarelos) 
  • Dores ósseas e articulares 
  • Risco aumentado de infecções. 

Tratamento 

Primeiro é preciso ter em mente a importância do acompanhamento médico e da prevenção para evitar a modificação das hemácias. Uma delas é a manutenção do calendário de vacinas, além do tratamento rápido de infecções e a não exposição a temperaturas extremas. 

Sendo uma doença de origem genética não há uma cura propriamente dita para ela. Mas outra indicação, no caso de dores intensas ou crises é hidratação e analgésicos para minimizar os sintomas. 

Dependendo da intensidade da dor, os remédios podem ser administrados em casa ou no hospital.  Há ainda a opção  de suplementação com ácido fólico, entre os tratamentos possíveis. 

O importante é conhecer a doença e os cuidados preventivos para prevenir o agravamento de sintomas, que devem ser percebidos e tratados no início evitando assim o agravamento. Mas em casos mais graves, o mais indicado é procurar um serviço de saúde. 

Viver com doença falciforme 

O dia 27 de outubro foi a data escolhida como Dia Nacional de Luta das Pessoas com Doença Falciforme. A data marca a necessidade de conhecer essa enfermidade para entender as necessidades de quem vive com a doença. 

Alguns avanços já foram conseguidos, como o atendimento integral das pessoas com a doença pelo SUS, através da portaria 1391/GM de 16 de agosto de 2005. Mas ainda há necessidade de discutir outros pontos sobre quem vive com a doença, como o absenteísmo.  

Especialistas citam o preconceito que os doentes passam por conta das faltas ao trabalho, ausências de compromissos, tendo como causa as crises de dor. Por isso pedem a criação de um amparo legal para essa situação. 

Antes de tudo vale a empatia e uma boa conversa. 

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