Dia 30 de abril é o Dia Nacional da Mulher. Tão importante quanto comemorar a data é alertar para os cuidados com a saúde delas. Por isso elaboramos uma série especial de artigos com este objetivo.

Vamos começar falando sobre câncer de colo de útero, cujo tumor é o terceiro maligno mais comum e a quarta causa de morte de mulheres no Brasil, com estimativa de surgimento de mais de 16 mil casos a cada biênio, segundo o INCA.

Apesar das estatísticas, a prevenção e, o consequente diagnóstico precoce, podem salvar muitas vidas.

Quer saber como? Ao longo deste artigo, vamos responder essas questões e citar desde formas de prevenção e diagnóstico precoce da doença. 

Afinal, o que é essa doença?

Em primeiro lugar, é preciso saber que o colo do útero está localizado no final da vagina, ou seja, entre órgãos externos e internos. Por ter essa localização, acaba ficando mais exposto ao risco de contrair doenças.

Também é preciso saber que o câncer de colo de útero é causado por uma infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano, sendo conhecido popularmente como HPV.

A infecção por esse vírus é muito frequente, mas na maioria das vezes não causa a doença. Entretanto, em alguns casos, há alterações celulares que podem evoluir para essa enfermidade.  Essas alterações podem ser facilmente descobertas em exames preventivos, como Papanicolau.

Sintomas

No começo, a doença é assintomática. Só quando está em estágio avançado tem sintomas como sangramento vaginal intermitente ou após relação sexual, secreção anormal e dor abdominal associada a problemas urinários ou intestinais.

Daí a importância da prevenção. O diagnóstico precoce aumenta em 97,5% de chances de sobrevida, segundo o INCA. Ele pode ser feito através de exames clínicos, laboratoriais ou de imagem. . Por isso, é importante a realização periódica do Papanicolau.

Diagnóstico precoce

O diagnóstico pode ser feito através da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. A avaliação é indicada para mulheres com sinais e sintomas sugestivos. Mas também para as assintomáticas, que devem fazer exames periódicos como rastreamento, principalmente se fazem parte de grupos de risco.

Existe ainda uma fase pré-clínica, também sem sintomas, em que há detecção de lesões que antecedem o aparecimento da doença, feita através do exame preventivo (Papanicolau).

Sendo assim, a consulta ao ginecologista deve ser feita de forma preventiva e ao sinal de qualquer um dos sintomas.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco facilitam a infecção persistente pelo HPV, tais como: início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros, tabagismo, uso prolongado de pílulas anticoncepcionais e má higiene.

Exames

A prevenção contra o câncer de colo de útero está diretamente relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. Por isso, é possível se prevenir de forma efetiva com as seguintes ações:

Existem quatro exames que podem detectar a doença, dependendo da avaliação médica. São eles:

  1. Exame pélvico e história clínica
  2. Preventivo (Papanicolau)
  3. Colposcopia- feito com um aparelho que detecta lesões anormais no local.
  4. Biópsia- retirada de pequenas partes de tecido no exame preventivo para análise, quando células anormais são detectadas.

Preventivo

O exame preventivo do câncer de colo de útero (Papanicolau) é o principal para detectar lesões e diagnosticar precocemente a doença, estando disponível inclusive em postos ou unidades de saúde da rede pública.

Ele é indolor, simples e rápido, podendo, no máximo, causar um pequeno desconforto.  Mas para garantir a prevenção deve ser realizado, periodicamente, por mulheres em idade entre 25 e 64 anos.

Mesmo mulheres que tomaram a vacina do HPV devem fazer o preventivo, pois ela não garante a imunização em todos os tipos do Papilomavírus Humano.

Cuidados antes do exame

Para um resultado eficaz, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo com camisinha) no dia anterior ao exame e; evitar uso de duchas, medicamentos e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame.

É importante que não esteja em seu período mensal, porque a presença de sangue pode alterar o resultado. Mulheres grávidas podem realiza-lo sem prejuízo para sua saúde ou do bebê.

Outras formas de prevenção

A prevenção contra o câncer de colo de útero está diretamente relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. Por isso, é possível evitá-lo de forma efetiva com as seguintes ações:

Vacina

A vacina tetravalente contra o HPV é oferecida gratuitamente na rede pública, em três doses, para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Ela protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. 

Além dos postos de saúde, também pode ser encontrada em clínicas particulares e centros médicos.

Preservativo

O contágio pelo HPV pode ser evitado parcialmente por meio do uso de preservativo, seja pela camisinha feminina ou masculina. 

Apesar disso, o contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal também pode transmitir a infecção.

Evite o tabagismo

Assim como outros tipos de câncer- também no caso do colo de útero- o tabagismo e o consumo de bebida alcóolica são fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento da doença. 

Por isso, quanto menor o consumo, melhor para a saúde de forma geral. 

Acesso ao atendimento

Um dos grandes problemas relacionados à prevenção da doença é o acesso ao diagnóstico e tratamento rápido Mesmo com exames disponíveis na rede pública a alta demanda atrasa o início do tratamento.

Em se tratando de câncer o tempo pode determinar as chances de tratamento e sobrevida do paciente. 

Na tentativa de acelerar esse processo, em outubro de 2019, o Senado aprovou a lei 13.396, que garante a pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito de realização de exames no prazo máximo de 30 dias.

A prevenção é sempre o melhor caminho. Ao perceber ou sentir qualquer alteração ou sintoma, procure um profissional da área o mais breve possível. 

Texto: Luciana Cavalcante

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