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Câncer de colo de útero: entenda sobre a doença

8 minutos para ler

O câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais comum.

Além disso, é a quarta causa de morte de mulheres no Brasil, com estimativa de surgimento de mais de 16 mil casos a cada biênio, segundo dados do INCA.

Apesar das estatísticas assustarem, é importante focar na prevenção e no diagnóstico precoce, pois eles podem salvar muitas vidas.

Quer saber como? Ao longo deste artigo, vamos responder essas questões e citar desde as formas de prevenção até o diagnóstico precoce da doença. 

Afinal, o que é o câncer de colo de útero?

Vamos destrinchar o que é essa doença. Em primeiro lugar, é preciso saber que o colo do útero está em uma localização delicada. Ele fica no final da vagina, ou seja, entre órgãos externos e internos. Por ter essa localização, ele acaba ficando mais exposto ao risco de contrair doenças.

Também é preciso saber que o câncer de colo de útero é causado por uma infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano, sendo conhecido popularmente como HPV. Outra nomenclatura usada para doença é câncer cervical. 

A infecção por esse vírus é muito frequente, mas na maioria das vezes não causa a doença. Entretanto, em alguns casos, há alterações celulares que podem evoluir para essa enfermidade. Essas alterações podem ser facilmente descobertas em exames preventivos, como Papanicolau.

Essa é uma boa notícia! E é exatamente por isso que os exames de rotina devem sempre ser incentivados. 

Os principais sintomas da doença

O maior perigo é que, no começo, a doença pode ser assintomática e só apresentar sintomas quando está em estágio avançado.

Os sintomas mais comuns são: 

  • Sangramento vaginal intermitente ou após relação sexual;
  • Secreção anormal – corrimento com forte odor e coloração amarelada ou rosada;
  • Dor abdominal associada a problemas urinários ou intestinais;
  • Dor pélvica;
  • Surgimento de edemas nos membros inferiores.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce aumenta em 97,5% as chances de sobrevida, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

O diagnóstico pode ser feito através da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. Por isso, é importante a realização periódica do tão conhecido Papanicolau.

A avaliação é indicada para mulheres com sinais e sintomas sugestivos. Mas também para as assintomáticas, que devem fazer exames periódicos como rastreamento, principalmente se fazem parte de grupos de risco.

Existe ainda uma fase pré-clínica, também sem sintomas, em que há detecção de lesões que antecedem o aparecimento da doença, feita através do exame preventivo (Papanicolau).

Sendo assim, a consulta ao ginecologista deve ser feita de forma preventiva e ao sinal de qualquer um dos sintomas.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco facilitam a infecção persistente pelo HPV, tais como:

  • Início precoce da atividade sexual;
  • Tabagismo;
  • Multiparidade (várias gestações);
  • Uso prolongado de pílulas anticoncepcionais;
  • Má higiene.

A idade também é um fator. O câncer de colo de útero é mais recorrente em mulheres entre 40 e 60 anos.

Exames que detectam a doença

A prevenção contra o câncer de colo de útero está diretamente relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV.

Existem quatro exames que podem detectar a doença, dependendo da avaliação médica. São eles:

  1. Exame pélvico e história clínica;
  2. Preventivo (Papanicolau);
  3. Colposcopia- feito com um aparelho que detecta lesões anormais no local;
  4. Biópsia- retirada de pequenas partes de tecido no exame preventivo para análise, quando células anormais são detectadas.

Geralmente, acontece da seguinte forma: o Papanicolau é feito de forma rotineira e preventiva, e, caso o médico julgue necessário, a coleta da paciente é submetida à biópsia e colposcopia para confirmação do diagnóstico. 

Preventivo

O exame preventivo do câncer de colo de útero (Papanicolau) é o principal para detectar lesões e diagnosticar precocemente a doença, estando disponível inclusive em postos ou unidades de saúde da rede pública.

Ele é indolor, simples e rápido, podendo, no máximo, causar um pequeno desconforto.  Mas para garantir a prevenção, ele deve ser realizado, periodicamente, por mulheres com idade entre 25 e 64 anos.

Mesmo mulheres que tomaram a vacina do HPV devem fazer o preventivo, pois são vários tipos de Papilomavírus Humano e ela não garante a imunização em todos eles. O recomendado é que todas as mulheres com vida sexual ativa façam o exame ginecológico preventivo anualmente. 

Procure um ginecologista caso sinta dores durante o ato sexual, sangramento fora do período menstrual ou corrimento com as características descritas anteriormente. 

Cuidados antes do exame

Para um resultado eficaz, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo com camisinha) no dia anterior ao exame e; evitar uso de duchas, medicamentos e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame.

É importante que a paciente não esteja em seu período menstrual, porque a presença de sangue pode alterar o resultado. Mulheres grávidas podem realizá-lo sem prejuízo para sua saúde ou do bebê.

Outras formas de prevenção

A prevenção contra o câncer de colo de útero está diretamente relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. Por isso, é possível evitá-lo de forma efetiva. Confira como!

Vacina

A vacina tetravalente contra o HPV é oferecida gratuitamente na rede pública, em três doses, para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Ela protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. 

Além dos postos de saúde, a vacina também pode ser encontrada em clínicas particulares e centros médicos.

Preservativo

O contágio pelo HPV pode ser evitado parcialmente por meio do uso de preservativo, seja pela camisinha feminina ou masculina. 

Apesar disso, o contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal também pode transmitir a infecção.

Evitar o tabagismo

Assim como outros tipos de câncer – também no caso do colo de útero – o tabagismo e o consumo de bebida alcóolica são fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento da doença. 

Por isso, quanto menor o consumo, melhor para a saúde de forma geral. 

Tratamento do câncer de colo de útero

Receber o diagnóstico positivo para cânceres nunca é fácil. A luta contra a doença exige muito mental e fisicamente da paciente. Por isso, é de extrema importância que a mulher esteja cercada por profissionais qualificados da ginecologia e oncologia, mas que também faça acompanhamento com um psicólogo para garantir o bem-estar em todas as esferas. 

Os tratamentos mais comuns contra o câncer de colo de útero envolvem a remoção da lesão ou a destruição das células cancerígenas. A técnica escolhida vai depender do perfil da paciente (se ela deseja ter filhos futuramente, por exemplo) e, claro, das especificidades do câncer.

Isso pode significar a retirada do útero e/ou da parte superior da vagina através de cirurgia. A radioterapia reduz o volume tumoral local, para depois iniciar a fase interna da radioterapia. Já a quimioterapia é mais comumente indicada para estágios mais avançados da doença. 

O tratamento com radioterapia e quimioterapia costuma gerar dores, enjoos, perda de cabelo e pelos, entre outras reações adversas. 

Após a conclusão do tratamento do câncer, a paciente deve permanecer com acompanhamento médico qualificado de perto, tanto para observar uma possível recidiva do câncer, como o próprio estado clínico geral da mulher.

O HPV pode ser transmitido para o bebê?

Não existe tratamento e nem cura para o HPV, apenas para as doenças causadas pelo vírus, como é o caso do câncer de colo de útero. 

Mas, diferente do vírus do HIV, que tem altas chances de ser transmitido da mãe para o bebê, no caso do HPV, o que prevalece são os casos de recém-nascidos saudáveis. A transmissão de HPV de mãe para filho é considerada rara. 

Acesso ao atendimento

Um dos grandes problemas relacionados à prevenção da doença é o acesso ao diagnóstico e tratamento rápido. Mesmo com exames disponíveis na rede pública, a alta demanda atrasa o início do tratamento.

Em se tratando de câncer, o tempo pode determinar as chances de tratamento e sobrevida do paciente. 

Na tentativa de acelerar esse processo, em outubro de 2019, o Senado aprovou a lei 13.396, que garante a pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito de realização de exames no prazo máximo de 30 dias.

A prevenção é sempre o melhor caminho. Ao perceber ou sentir qualquer alteração ou sintoma, procure um profissional da área o mais breve possível. 

Texto: Luciana Cavalcante

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