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Paciente oncológico e o COVID-19: Caminho das pedras em meio à pandemia

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Ao longo dos últimos meses, fomos pouco a pouco sendo jogados em um verdadeiro redemoinho que lançou para o alto nossas rotinas. Muito se debate sobre como será a vida pós-pandemia e isolamento.

Porém, desde agora, já vivemos intensas transformações, ou será que alguém discordará que mudaram completamente nossa forma de lidar com as idas e vindas para além da porta de casa?

Agora imagine para as pessoas vivendo com algum tipo de câncer… Pacientes propriamente ditos, familiares e amigos, equipe multidisciplinar. O que muda para elas? O que muda para os centros de oncologia? No que tem se transformado a assistência à saúde desses pacientes? Acompanhe nosso artigo para saber mais.

Categoria de Risco

Para início de conversa, você saberia reconhecer, entre os pacientes com câncer, quais aqueles em grupo de risco? 

São eles:

– Pacientes atualmente em tratamento de quimioterapia, de radioterapia ou que receberam tratamento no último 1 mês;

– Pessoas que fizeram transplante de medula óssea ou de células-tronco nos últimos 6 meses;

– Aqueles em uso de remédios com efeito imunossupressor;

– Pessoas com alguns tipos de câncer no sangue ou no sistema linfático que, apesar de não necessitarem de tratamento, acabam por ter prejuízos no sistema imunológico, por exemplo leucemia crônica, alguns tipos de linfoma ou mieloma múltiplo;

– Pacientes com câncer que são grupo de risco, especificamente por conta de algumas alterações no sistema imunológico, apresentando alterações tais como: leucopenia (baixo número de leucócitos), níveis baixos de imunoglobulina e imunossupressão de longa duração (esteroides, anticorpos);

– Indivíduos com idade acima de 60 anos, portadores de doenças crônicas diversas (ex. diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias) que têm maior risco de apresentarem complicações graves em caso de infecção por COVID-19.

Adaptações Necessárias

Para começar, é importante salientarmos que nenhum tratamento deve ser interrompido ou trocado sem que essa decisão seja tomada e compartilhada junto à equipe que acompanha o paciente no tratamento.

Medidas Gerais

Também vale para o paciente com câncer as medidas recomendadas à população como um todo:

– Lavar bem as mãos com água e sabão (lembre-se da técnica correta!);

– Cumprir o isolamento social, evitando aglomerações e contato com pessoas com sintomas gripais;

– Evitar cumprimentos com contato físico, como abraços e beijos.

Terapias e Consultas

Agora, olhando para a situação específica do paciente oncológico, sempre pesando os prós e os contras, algumas adaptações podem ser necessárias a fim de minimizar o efeito deletério causado por alguns protocolos de tratamentos ao sistema imune.

O importante é evitar a presença inadvertida do paciente em instituições de saúde que, neste momento, podem ser um grande ímã para indivíduos potencialmente infectados pelo coronavírus. Por tanto o mais recomendado é:

– Sempre que possível converter tratamentos intravenosos em orais ou subcutâneos, por exemplo, agentes hormonais e terapias alvo;

– Preferir esquemas de quimioterapia menos citotóxicos, reduzindo o risco de complicações que venham a exigir internação hospitalar, ou ainda interromper momentaneamente as terapias se a doença estiver estável;

– Considerar esquemas de radiação mais curtos/acelerados ou hipofracionados (maior dose por fração com menor quantidade de frações/sessões), quando cientificamente justificados e apropriados para o paciente;

Ademais, sempre que possível postergar visitas de acompanhamento, fazer consultas por meio da telemedicina e orientar pacientes com febre e outros sintomas a não irem a centros de saúde (evitando exposição desnecessária a outros pacientes).

Cirurgias

No auge da pandemia as cirurgias eletivas foram adiadas ou canceladas, inclusive as oncológicas, com sua substituição por outro tipo de tratamento, como medida de prevenção.

Só no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer essa redução foi de 44%.  Muitos pacientes incluídos nesse grupo de risco também estavam com receio de se contaminar nas unidades de saúde durante exames, consultas e tratamentos. 

Hoje, embora as sociedades médicas recomendarem a volta dos procedimentos – de acordo com os novos protocolos preventivos – isso não significa que, diante da nova onda da doença, não voltem a ser suspensos.

Essa é uma grande preocupação, já que 80% dos pacientes vão precisar de cirurgia em alguma fase do tratamento, segundo o Instituto Nacional do Câncer.  É preciso reforçar que se trata de um procedimento de urgência e que não pode ser adiado.

A cirurgia é fundamental para controlar ou retardar o tumor, principalmente em caso do primeiro tratamento oncológico, segundo o cirurgião oncológico do IBCC Oncologia, Dr. Abner Barrozo.

“Adiar pode ser perigoso e trazer consequências muitas vezes irreversíveis para o paciente. O câncer pode ser mais agressivo se houver demora na realização de uma cirurgia. O cuidado tardio ou indevido pode reduzir as chances de cura do paciente”, diz.

No dia do tratamento

Você pode seguir essas dicas adicionais:

– Ter somente um acompanhante, preferencialmente com menos de 60 anos (atentar para os grupos de risco), naturalmente sem sintomas de resfriado ou de gripe;

– Manter distância de outras pessoas (1-2 metros), inclusive da equipe de saúde e de outros pacientes;

– Evitar circular pelo hospital desnecessariamente; lembre-se que não é um passeio, portanto, atente-se somente aos espaços indispensáveis;

– Não permanecer no local de tratamento por mais tempo do que o necessário;

– Manter os cuidados de prevenção para com as mãos:

– Higiene pessoal, lavando com água e sabão ou, na sua ausência, usando álcool em gel;

– Ao espirrar ou tossir, cobrir nariz e boca com lenço ou antebraço;

– Não levar as mãos às regiões de mucosa facial (olhos, nariz, boca…).

– Evitar compartilhar objetos pessoais, como celulares, canetas ou quaisquer objetos que possam ser passados de mão em mão.

Referências:

van de Haar, J., Hoes, L.R., Coles, C.E. et al. Caring for patients with cancer in the COVID-19 era. Nat Med (2020). https://doi.org/10.1038/s41591-020-0874-8

European Society for Medical Oncology. ESMO, 2020. Cancer patient management during the covid –19 pandemic. Disponível em: https://www.esmo.org/guidelines/cancer-patient-management-during-the-covid-19-pandemic?hit=some.  Acesso em 18 de Abril de 2020.

Instituto Nacional do Câncer. INCA, 2020. Perguntas frequentes: câncer e coranavírus. Disponível em: https://www.inca.gov.br/perguntas-frequentes/cancer-e-coronavirus-covid-19. Acesso em: 20 de Abril de 2020.

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. SBCO, 2020. Epidemia de Covid-19: pronunciamento da SBCO. Disponível em: https://www.sbco.org.br/central-de-noticias/view/epidemia-de-covid-19-pronunciamento-sociedade-brasileira-de-cirurgia-oncologica. Acesso em 21 de Abril de 2020.

Autores: Isabella Gutierres, aluna de medicina e estagiária da CONEXA, e Murillo Castro, aluno de medicina

Revisão: Luciana Cavalcante

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